Quais são os principais fatores de risco?

Fator de risco é qualquer situação que aumente a probabilidade de ocorrência de uma doença ou agravo à saúde. Mulheres com fatores de risco para câncer de mama, não necessariamente virão a ter câncer, assim como a ausência de fatores de risco não elimina a chance de tê-lo. Quanto mais fatores de risco um indivíduo possui, maiores são suas chances de desenvolver determinada doença.

Cerca de 70% das mulheres acometidas, com câncer de mama, não apresentam um fator de risco claramente identificável. Porém, quando comparamos mulheres com fatores de risco e mulheres sem fatores de risco, a incidência de câncer é claramente maior no primeiro grupo.

Fatores de risco para o câncer de mama:

1- Gênero feminino

Mulheres têm 100 vezes mais chances de ter câncer de mama que homens.

2- Idade

O risco aumenta a partir dos 40 anos de idade, chegando ao seu pico ao redor dos 55-60 anos. Cerca de 60% das mulheres com câncer de mama têm mais de 50 anos.

Enquanto o risco de câncer de mama em mulheres de 30 anos é de apenas 1 em 2000, em mulheres de 75 anos o risco é de 1 para 10. Veja por faixa etária.

– Até os 49 anos: 1 caso a cada 51 mulheres.

– Entre 50 e 59 anos: 1 caso a cada 43 mulheres.

– Entre 60 a 69 anos: 1 caso a cada 23 mulheres.

– Acima dos 70 anos: 1 caso a cada 15 mulheres.

3- Etnia

Brancos são o grupo étnico com maior incidência de câncer de mama. Negros apresentam um risco levemente menor, porém, sua mortalidade é maior devido a tumores mais agressivos, e ao fato desta população ter menos acesso a meios diagnósticos e tratamentos precoces. Hispânicos e asiáticos apresentam, cerca de 30%, menor risco de câncer de mama, que brancos. Com a incorporação de hábitos ocidentais, em outros países (alimentação, fast food, menor número de filhos, obesidade, poluição), têm se verificado maiores incidências em países de baixa e média renda.

4- História familiar

Ter um parente de primeiro grau com câncer de mama aumenta o risco de tê-lo em 1.8 vezes. Ter dois parentes de primeiro grau com câncer de mama aumenta o risco em 2.9 vezes. Se você tem um parente de primeiro grau com diagnóstico de câncer de mama antes dos 40 anos, então seu risco de também tê-lo antes dos 40 aumenta em 5.7 vezes.

Entretanto, apesar destes dados, apenas 15% das mulheres com câncer de mama apresentam história familiar positiva. Os outros 85% dos casos ocorrem em mulheres sem história familiar.

A história familiar também é importante na identificação de algumas mutações genéticas que favorecem o surgimento do câncer de mama. Quando vários familiares apresentam a doença, provavelmente estamos lidando com uma família que possui mutações germinativas. Mulheres com estes genes alterados apresentam 65% de chance de virem a ter câncer de mama até os 70 anos. Os genes BRCA 1 e BRCA 2 são responsáveis por algo em torno de 5% dos casos de câncer de mama.

5- História pessoal de câncer de mama

Quem já teve câncer de mama uma vez, apresenta 4 vezes mais risco de ter um segundo câncer de mama, seja na mesma mama ou contralateral.

6- Lesões benignas da mama

A maioria das lesões benignas da mama não acarretam maior risco de câncer de mama. Entre elas podemos citar fibroadenoma simples, alterações fibrocísticas, papiloma e ectasia ductal. Porém, algumas lesões precursoras, como a hiperplasia ductal atípica e a hiperplasia lobular atípica são fatores de risco reconhecidos, aumentando em cerca de 5 vezes o risco de câncer de mama.

7- Idade da menarca (primeira menstruação) e da menopausa

Mulheres com menarca precoce (antes dos 12 anos) e/ou menopausa tardia (após os 55 anos) apresentam maior risco de câncer de mama

8- Radiação torácica

Pessoas com história prévia de câncer submetidas a radioterapia na região torácica, como no tratamento do linfoma, pessoas expostas a radiação como os sobreviventes da bomba atômica ou pessoas que que entraram em contato com material radioativo, como em acidentes de usinas nucleares, apresentam maior risco de câncer de mama. Este risco é ainda maior se a exposição ocorreu durante a juventude.

9- Densidade das mamas

A densidade mamária representa a proporção entre parênquima glandular e gordura na mama. Quanto mais glândula, mais densa. Mamas densas apresentam maior risco de câncer de mama e uma maior dificuldade em diagnosticá-lo pela mamografia.

10- Idade do primeiro parto e número de filhos

Mulheres que têm o primeiro filho cedo apresentam menor risco de câncer de mama, quando comparadas com mulheres, que tem parto após os 30 anos de idade. Acima dos 40 anos, que nunca tiveram filhos, são as que apresentam maior risco, cerca de 30% maior que mulheres com filhos. Estima-se que cada filho reduza em 7% o risco de câncer de mama.

11- Amamentação

Amamentar reduz o risco de câncer de mama. Estima-se uma redução de 4.3% para cada 12 meses de amamentação realizada. Mulheres com prole grande e com longo tempo de amamentação estão mais protegidas.

12- Anticoncepcionais hormonais

A relação entre as pílulas anticoncepcionais e a incidência de câncer de mama perdeu força nos últimos anos com a diminuição da quantidade de hormônios presente no medicamento. O risco foi maior em quem usava o anticoncepcional há mais de dez anos e estava acima dos 40. Além da pílula, o dispositivo intrauterino (DIU) com progesterona também foi vinculado a riscos.  A ameaça ligada aos métodos contraceptivos citados é pequena, temos que avaliar se a pílula traz mais riscos, do que benefícios.

13) Terapia de reposição hormonal (TRH)

Collaborative Group on Hormonal Factors in Breast Cancer analisou os efeitos a longo prazo da TRH, tendo em conta a idade na primeira utilização, duração do uso e tempo decorrido desde última utilização. Por sua vez, comparou o estrogênio isolado versus a não utilização e a terapia combinada (estrogênio e progesterona) versus a não utilização.  Os dados mostraram que comparando com não usuárias, as mulheres que iniciaram TRH, logo após a menopausa, tiveram risco significativamente aumentado de câncer da mama invasor. Os riscos relativos foram maiores para as usuárias de terapia combinada, versus não usuárias, do que para as usuárias de estrogênio isolado. Em ex-usuárias de TRH, os riscos relativos foram mais baixos do que em usuárias atuais, mas os riscos permaneceram elevados por mais de 10 anos, após a suspensão da terapia

14- Obesidade

Quanto maior o tecido gorduroso, maior o risco de câncer de mama. Mulheres com Índice de massa corporal (IMC) maior que 33 kg/m2 apresentam 27% mais risco que mulheres com IMC normal. Este risco é ainda maior em mulheres após a menopausa.

Além da inflamação crônica, os especialistas destacam outros processos biológicos que explicam a relação:

a- Desregulação da morte das células. Depois de algum tempo, as células se programam para morrer. O processo é natural e conhecido como apoptose celular. Estudos mostram, no entanto, que a obesidade pode desregular esse processo - o que contribui para que células disfuncionais permaneçam no organismo.

b- A obesidade contribui para a secreção de substâncias pró-inflamatórias. Essas substâncias promovem o crescimento de células com perfil mais cancerígeno.

c- Aumento de vasos sanguíneos. A obesidade favorece o crescimento de vasos sanguíneos, num processo conhecido como angiogênese. Os tumores acabam usando esses novos vasos sanguíneos para sua nutrição.

d- Excesso de gordura abdominal. Um dos fatores que contribuem para o câncer é o excesso de gordura na região abdominal. A gordura nessa região se transforma em um órgão endócrino, capaz de produzir hormônios e estimular a multiplicação celular.

e- Mudança na microbiota intestinal. Estudos também mostram que a obesidade contribui para uma mudança no perfil das bactérias que compõem o trato intestinal, característica que também favorece uma maior inflamação.

f- Maior secreção de insulina. A insulina, hormônio que contribui para que a glicose seja aproveitada pelas células, também está envolvida no processo de inflamação iniciado pela obesidade.

g- Níveis elevados de hormônios sexuais. A obesidade contribui para maior produção de hormônios sexuais e isso é particularmente importante no aumento da produção do estrogênio, um hormônio feminino.

15- Consumo de álcool

O consumo de álcool aumenta o risco de câncer de mama. Quanto maior o consumo, maior o risco. Demonstrou-se uma tendência entre o aumento no risco de desenvolver câncer de mama e maior consumo de álcool, sendo observados aumentos de 32% para o consumo de 35 a 44 gramas de álcool por dia, e de 46% para o consumo maior ou igual a 45 gramas de álcool por dia, em comparação aos abstêmios. No entanto, não foram observadas diferenças no risco de acordo com os tipos de bebida alcoólica consumida (vinho, cerveja ou destilados). Um vinho com 12,5% vol. contém 12,5 ml de álcool/100 ml de vinho x 0,8 g/ml = 10 g de álcool/100 ml de vinho.

16- Atividade física

Exercícios físicos diminuem o risco de câncer de mama, independente do seu efeito na redução de peso. Mesmo 40 minutos de caminhada 3x por semana já é suficiente para reduzir o risco. Mulheres que praticam exercícios mais intensos, como até 10 horas semanais de caminhada ou 3 horas semanais de corrida, chegam a ter até 40% menos, chance de desenvolver câncer de mama.

Um estudo recente publicado na Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention verificou que o exercício regular moderado está associado a um menor risco de câncer de mama invasivo entre as mulheres pós-menopáusicas. Aqueles que se envolveram em pelo menos 4 horas de caminhada por semana, durante 4 anos tiveram um risco 10% menor da doença em comparação com aqueles que se exercitavam menos frequentemente no mesmo período de tempo. A Sociedade Americana de Oncologia Clínica recomenda 45 minutos diários de exercícios, por pelo menos 5 dias, por semana.

 

17- Agrotóxicos e agentes poluentes

Os agrotóxicos podem atuar como iniciadores, promotores e aceleradores de mutações que originam um tumor. Isso porque, substâncias tóxicas ambientais (xenobióticos) são capazes de induzir a mutações no DNA. Estudos epidemiológicos têm documentado a associação entre a exposição a agrotóxicos e o desenvolvimento de câncer, em diferentes localizações anatômicas e faixas etárias, sobretudo em populações agrícolas diretamente expostas, mas também pela contaminação dos alimentos nas populações urbanas.

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